Porque Brincar é fundamental !
.
Na Fábrica de Brinquedos, as crianças serão convidadas a imaginar, criar e brincar na prática, será proibido não brincar. Em grupos e/ou individualmente as crianças deverão construir brinquedos utilizando os materiais fornecidos, entre eles: tintas, pincéis, papeis estampados, peças de cerâmica, papel mache, fotografias, adornos, etc. De acordo com o mestre Rubem Alves parte da alegria de brincar está no ato de construir o brinquedo. Antes de torná-lo real, no entanto, é necessário construí-lo de mentira, no mundo das idéias. Esta, segundo o autor, é a função da imaginação. Não se pode destruir a fantasia que as crianças carregam. Ao brincar de faz-de-conta o que se mostra além do real é matéria-prima, que surge dos reinos e universos encantados com criaturas incríveis, basta isso para criar um mundo.
A linguagem artística na educação infantil tem um papel fundamental envolvendo os aspectos cognitivos, sensíveis e culturais. Quando estimulamos a criatividade e imaginação, também ampliamos as expressões e a linguagem.
.
.
“ O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver... A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras”
Rubem Alves
.
.
As crianças são naturalmente livres, encantadas e curiosas, desta forma costumam se interessar mais pelo processo artístico do que pelo produto acabado. Por este motivo, consideramos os momentos destinados ao lazer tão importantes quanto qualquer outro e uma excelente oportunidade para as aprendizagens não formais que são parte integrante e fundamental para a construção do indivíduo ao longo da vida. Assim sendo, a arte como linguagem, permite a cada indivíduo adquirir e desenvolver capacidades e aptidões necessárias para incentivar e/ou reforçar o espírito de iniciativa e a autonomia que muito contribuirá para a melhoria da sua condição de vida diante dos meios sociais em constante transformação.
A arte Naif - adjetivo francês 'naif' que vem do latim 'nativus', que significa: nascente, natural, espontâneo, instintivo – tem como característica principal a forma não acadêmica e formatada de se expressar. Seus artistas são autodidatas que procuram em seus sentimentos as cores e formas para compor suas obras, sem rigidez. Essa arte traduz a essência do ser Criança em sua totalidade: um ser natural, livre e puro.
Uma criança pode ser um médico hoje e um astronauta amanhã, pode ser uma grande bailarina e no momento seguinte ser uma doce joaninha, não deve ser função da educação fazer com que escolha. A educação deve incentivá-la a ser cada dia mais, Poder Ser o que quiser do tamanho que quiser para Poder Ser feliz.
Encoraje o pensamento independente do seu pequeno e deixe ele tomar suas próprias decisões. Os mundos das crianças são imensos não podemos limitá-los !
.
“ ...conta-me histórias caso eu acorde para eu
tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu
brincar. ”
Fernando Pessoa
.
A proposta é buscar o desenvolvimento dos aspectos comportamentais da criança de forma lúdica e criativa. Para isso desenvolvemos uma metodologia aberta, mas fundamentada em princípios da Educação Experiencial, da Arte-Educação, da Pedagogia Social, da Liberdade de expressão e Autonomia tão defendidas por Rubem Alves e Paulo Freire.
Quais os benefícios pretendidos com a Aprendizagem Experiencial?
*Desenvolvimento de habilidades sociais, como ajudar os outros, compartilhar
*Mais confiança
*Mais alegria
*Desenvolvimento intelectual e habilidades na resolução de problemas
*Desenvolvimento da imaginação e originalidade
*Desenvolvimento físico, incluindo força e coordenação
*Desenvolvimento de habilidades lingüísticas e de comunicação
*Mais saúde e melhor forma física
*Desenvolvimento emocional
*Desenvolvimento de talentos e interesses, como hobbies, ciência e música
Qual o adulto que não se lembra de uma brincadeira ou história da infâcia ? Momentos estes que sempre trazem boas sensações, sorrisos e aconchego. As crianças de hoje precisam ter momentos lúdicos para lembrar.
Reviver a infância brincada nos faz viver melhor, mais felizes, mais fortes, mas próximo à cultura, mais interessados em novos conecimentos, mas dispostos a aprender e apreender, mais criançs e por isso, mais completos.
Revivam suas infâncias por meio do texto abaixo, cheio de sentimento da artista e "criança" Hyali Barros. "Criança" porque ainda tem a doce capacidade de se espantar e por isso ver a beleza das coisas simples e artista porque sabe fazer sonhar.
Apreciem:
Recordações de Outros Natais
Há quem diga que Natal é coisa de criança, e concordo plenamente, pois nesse período sinto despertar a criança que há em mim. A eterna criança que espera escondida atrás da porta, que algum milagre aconteça, que traz o brilho nos olhos a espera de um dia especial em que virá o presente tão desejado. Mesmo sabendo que grandes milagres são raros, que nem sempre ganhamos o presente tão esperado e que Papai Noel não existe, nem assim a criança que há em mim perde o encanto. Não estou falando da grande festa, muita comida, cantoria e presentes, falo do espírito geral da época, quando tudo parece estar mais belo, mais iluminado. Quando os planos se renovam, “Ano que vem tudo vai ser melhor!”
E quando dezembro se aproxima me lembro dos doces dias de infância. Nada era mais esperado que as férias de dezembro, pois significava passeio na casa dos avós.
Ainda trago viva na memória a imagem da minha querida avó materna, rosto fino, olhos fundos, pele que revelava a idade avançada. Sempre com sua saia e casaco de botões pequenos.
Filomena! Nome perfeito para uma avó. O Vô Luis e seu semblante sério, mas com uma imensa bondade que não era expressada em palavras, mas em gestos que até hoje me servem como exemplo.
Para mim não era um simples passeio, mas a descoberta de um universo rico em símbolos a serem decodificados. A cadeira de balanço significava dia de chuva, “todo mundo pra dentro”, o porão escuro era o medo a ser enfrentado, a calda de pudim no fundo da panela era questão de merecimento, jabuticaba no pé era aventura na certa.
Nem me recordo se havia televisão, nada melhor que aprender a montar minha própria pipa, mesmo percebendo que ela nunca voava mais alto que o telhado da casa. A rotina era acordar com o cheiro de café coado no bule, em fogão à lenha, comer bolo e queijo como todo bom mineiro. Corria para a janela para conferir se iria fazer bom tempo. Já estava até acostumada com aquelas montanhas que quem conhece não esquece jamais. Saia correndo descendo escada abaixo antes que mamãe verificasse se eu havia escovado os dentes.
Irmãos e primos, todos juntos a correr e gritar ao mesmo tempo num alarido ensurdecedor, que só era interrompido com um olhar fulminante do meu avô. Mas logo em seguida tudo recomeçava. De quem era a vez de subir no balanço de corda? A gritaria novamente. Enquanto isso era melhor ir pulando amarelinha riscada com giz no chão do quintal.
“Balança caixão, balança você, dá um tapa na bunda e vai se esconder”! O esconderijo mais disputado era embaixo da janela do banheiro, ali formava-se um amontoado de pernas, pescoços e suor. E quando éramos descobertos era uma correria só, sempre tinha um com o joelho esfolado no cimento. Que curativo que nada, era só dar uma cuspida para limpar o sangue, pois se chorasse e fizesse muita frescura mamãe mandava todo mundo entrar e ir tomar banho.
Eu não gostava das guerrinhas de mamona, tinha uma péssima mira e pouca força nos braços, sempre levava na cabeça. Bolinha de gude era bom, achava encantadora a transparência azul esverdeada.
Mamãe dizia que carrinho de rolimã era coisa de moleque, então ficava só olhando com as mãos no rosto e o cotovelo apoiado nas pernas encardidas. Mas na hora em que todo mundo resolvia descer a ladeira abaixo escorregando sentado num pedaço de papelão, eu era a primeira da fila. Voltava para casa coberta de poeira.
Fim de tarde, cheiro de dama da noite, céu pintado de uma mistura encantadora: magenta, laranja e azul cerúlio. E quando a noite vinha com toda sua magnitude, podíamos deitar no chão da varanda para contar estrelas, mas sem apontar o dedo pois diziam que dava verruga. Antes de ir pra cama ficava sondando as "conversas de adulto" em volta do fogão à lenha, que sempre tinha uma brasa acesa pra esquentar o papo. O assunto que mais me instigava eram as histórias de assombração, e ficava horas ouvindo sobre alma penada e contos do além, mesmo sabendo que ficava dias depois sem conseguir dormir sozinha.
Para dormir, nem me importva em dividir a cama de solteiro com mais dois, o sono era maior que o incômodo. E a noite tinha que ser bem dormida pois tínhamos que levantar bem cedo pra catar gravetos e capim seco pra montar o presépio e a árvore de natal, pois não tínhamos as árvores industrializados que víamos nas lojas. Mas mesmo na simplicidade era um momento muito esperado, pois acontecia uma só vez a cada ano!
Pena que era sempre período chuvoso, mas dávamos um jeito de buscar os apetrechos para deixar o natal bem bonito. Buscávamos galhos de árvores e retirávamos as folhas. Bem no canto da sala Vó Mena colocava um vaso com terra para que fincássemos ali a galho seco.
Lá vinha então minha querida tia com uma grande caixa de papelão:
- Vamos começar pela árvore! - dizia animada.
Parecia um baú dos contos de fadas, tudo brilhava. Dourados, prateados, bolas grandes e pequenas. Adorava brincar com as bolas de brilho espelhado, dava pra ver o rosto com o nariz enorme e a cabeça pequena. Não era raro quando as deixávamos cair e quebravam em pequenos cacos. Pedíamos perdão, e o sorriso da Tia Licá já dizia que poderíamos continuar, desde que tivéssemos mais cuidado. E de galho em galho a árvore ia ficando grande! Não sei bem se a árvore era realmente grande ou se eu é que era muito pequena. Conseguia colocar os enfeites somente até onde alcançava minha altura. A estrela do topo, nem pensar, “coisa de gente grande”. Algodão para imitar flocos de neve.
Podíamos ouvir de longe o assovio que Vô Luis sempre costumava fazer quando estava contente, dessa vez o repertório estava recheado de “jingle bells”, “noite feliz”. Lá vinha ele cantarolando e trazendo um saco cheio de capim não tão seco e pequenos gravetos para que pudéssemos fazer a manjedoura do menino Jesus. Burrinhos, ovelhas, anjinhos, tudo tão delicado. Ficava emocionada ao ver os olhinhos pintados com minúcia. Maria e José ficavam ajoelhados ao lado de um lugar reservado que só seria preenchido na noite de Natal, quando então poderíamos ver o pequeno bebê enrolado em panos brancos.
Já podíamos sentir cheiro de bolo de frutas, cheiro de biscoito de nata, cheiro de carne assada, cheiro de um ritual que se repetia a cada fim de ano.
Eu ficava ansiosa pra saber o que ganharia de presente, nunca sabia se papai Noel traria ou não o que eu havia pedido na cartinha cheia de desenhos. Eu sempre pedia mais do que realmente ganhava.
Mamãe ficava mais bonita e sorridente. Vez ou outra acrescentava mais uma cartão de Natal aos que ficavam aos pés da árvore. Quando eu ficava cansada de tanto correr e pular ia prá lá, me sentava quietinha para ver os cartões, cada um mais lindo que outro. Gostava das paisagens cheias de neve, com casinhas enfeitadas de guirlandas e luzes coloridas. Eu só não entendia porque fazia frio nos natais dos cartões.
Adorava também ir ao salão de manicure da Tia Fatinha, o cheiro de esmalte e acetona excitavam as clientes que sempre falavam aos quatro ventos sobre suas aventuras amorosas, eu ficava fingindo ler as revistas de novelas mas com os ouvidos nas fofocas. Nem pensava em colocar as mãos em alicates e lixas, pois isso não era brinquedo de criança.
Tia Marise ficava às voltas com as toucas de cabelo, nunca vi ninguém sofrer tanto pra esticar o cabelo. Mas no fim tudo dava certo, isso é, se não tomasse chuva, né!
Tia Mirtes ficava na janela, seu passa tempo preferido.
Tio Didi e Tio Magno chegavam pra animar o pedaço, sempre tinham uma piada nova. Tio Cinho, com seu semblante sério, mas sempre com a preocupação se tudo estava em ordem. Tio Márcio, sempre ocupado.
E assim, dia a dia o mês de dezembro ia acontecendo, sempre ao som dos lançamentos de Roberto Carlos.
As portas sempre abertas, janelas sem cadeados, luzes acesas, tudo para esperar aos queridos que ainda estavam por chegar.
Papai sempre vinha na véspera, pois ficava trabalhando e cuidando da nossa casa. Seus cabelos já estavam levemente grisalhos. Chegava com os braços abertos e nos pegava no colo.
Aos poucos iam chegando os tios e tias, primos e primas, cada um com suas notícias, com suas alegrias e tristezas.
Meu avô exibia com orgulho a fartura de tudo que tinha cultivado e criado com suas próprias mãos. Mesa farta, família unida, mesmo tendo o vazio de sempre ter alguém faltando. Assim todas as mágoas eram esquecidas, nos abraçávamos e entre sorrisos e lágrimas selávamos juramentos de união e felicidade eterna.
Feliz Natal! Feliz Ano Novo! Feliz tudo para sempre!
É isso que nos move, a esperança de dias melhores. Sobre esses alicerces firmemente fundados que construo minha vida.
Hoje em meus natais ainda trago a alegria de poder celebrar o amor, a amizade, o companheirismo, mesmo na ausência daqueles que sempre foram importantes e que hoje tenho somente lembranças.
Que bom poder olhar pra trás e vislumbrar uma longa caminhada repleta de altos e baixos, com dificuldades e conquistas, com sorrisos e lágrimas. E assim vou seguindo com a minha pequena criança interior, que de vez em quando, esperneia e chora, merecendo um puxão de orelha. Nos momentos de dificuldade peço a Deus que a proteja e a guie por esse mundo onde muitas pessoas perderam a espontaneidade infantil, a simplicidade de viver, onde muitos são cruéis e passam por cima de valores que parecem desnecessários.
A cada vez que enfrento uma tormenta em meio a uma noite escura, quando, amedrontada, penso que nunca vai amanhecer, a pequena criança recorda dos “velhos natais”, das antigas canções, dos abraços e dos ensinamentos dos pais, ensinamentos que sempre nos guiarão em direção aos nossos objetivos sem medo.
Que possamos ter mais espírito de natal no coração que possamos escrever cartinhas sem receio de escolher os presentes para alma, mesmo na dúvida de recebê-los ou não. Que não tenhamos vergonha de cantar bem alto “Noite Feliz”, que possamos retomar o hábito de enviar cartões, de abrir as portas e janelas para receber os amigos e que as luzes se acendam na nossa alma a espera do nascimento de Jesus, este que já tem um lugar especialmente reservado no nosso coração.
Que possamos lembrar dos amigos que estão distantes e esquecer do saldo bancário.
Que possamos não ter sentimento de culpa por ainda não termos feito o suficiente pelo próximo, mas que também possamos fazer mais pelo outro do que simplesmente desejar.
Que sejamos protagonistas de um ano novo e melhor, que promessas e planejamentos não fiquem somente escritas na primeira página da agenda do ano seguinte.
Que possamos não viver de saudosismos e nem ficar sem dormir preocupados com os dias que virão, mas que no presente tenhamos consciência da importância do passado e futuro na justa medida.
Que possamos ouvir aquela música que gostamos mesmo correndo o risco de sermos bregas.
Que possamos entender os mais velhos assim como queremos ser compreendidos pelos mais novos.
Que possamos ter muitos natais e que eles sejam repletos de símbolos para podermos decodificá-los, pois essa é a nossa missão, crescer e entender que ainda temos muito a aprender."
Um abrçao !
Lara Queiroz
3481.2781 / 8806.3023 / msn: lara.qr@hotmail.com